Um lado de mim anseia loucamente por uma aventura.
Não, não aventuras sexuais, puladas de cerca ou algo do gênero. Meu namorido mais do que me satisfaz, não é isso o que me incomoda.
Quero aquela aventura refletida no vento no rosto, de fazer alguma descoberta, de ter a adrenalina fluindo no meu sangue. Não precisa ser algo grandioso, mas preciso acreditar que valeu a pena.
Toda vez que acabo em casa, na frente do computador, sinto uma impotência brutal, que me corrói até o estômago. Queria ter pensamentos geniais, até me comunicar em voz alta de um jeito coerente. Admiro aquelas pessoas idealistas, que defendem um ideal que parte do fundo do coração, tão amado quanto um filho. Quero ter uma atitude que possa ser feita, ser criada. Poder envolvê-la em meus braços e, então, apresentar àqueles que me importa, mostrando que o que fiz não foi em vão, o que foi um embrião pode se tornar uma árvore gigantesca, que abraça, que renova, se reflora.
Talvez, no fundo, eu seja uma das crias dos livros que me faziam sonhar, meus ideais da terra não são capazes de sair. Me sinto atada, recurvada num influxo infinito, buscando de novo em mim o que ainda pode ser puro, que talvez me salve de mim mesma, algo de mim quando não era eu, ou talvez fosse menos do que sou hoje. A semântica não importa, enquanto o ato não for efetuado.
